Uso Responsável de Computadores e a Convivência no Ambiente Virtual

Quando necessitamos abordar qualquer tema novo um bom início é meditarmos sobre o tema novo, no sentido de reflexão e criação do novo. Para fazermos isto é necessário que tenhamos um referencial histórico para comparamos com o novo e construirmos o conceito do novo. Por exemplo, imagine que a mãe diga para o filho pegar a cadeira com braço. Esta criança nunca viu uma cadeira com braço, mas conhece braço e conhece cadeira. Através do referencial de braço e cadeira a criança constrói o conceito de cadeira com braço.
Por isto, diante da ciência em formação sobre o uso responsável de computadores e a convivência no ambiente virtual, devemos mergulhar em nossos registros de memória fluída e cristalizada para entendermos o meio ambiente computacional, suas relações sócio-ambientais, e construir o novo.
Vejamos, o homem primitivo era nômade e vivia basicamente da coleta. Porém, o homem tem a tendência de se agrupar e viver em sociedade. Para conseguir fixar-se em um determinado local o homem começou a domesticar animais, desenvolver a agricultura, e principalmente a criar prolongamentos de suas ferramentas naturais, as mãos. O homem sempre trabalhou, mas também é uma característica do ser humano a tendência ao ócio. A princípio, começou a desenvolver ferramentas para satisfação de suas necessidades imediatas para sobreviver, sem intento de acúmulo. A partir do momento que o homem desenvolve utensílios, fica acima dos outros animais e começa uma economia apropriativa. O homem passa a criar ferramentas e a ser capaz de obter abastecimento para vários dias, restando mais tempo para o lazer.
Com o aumento da densidade do grupo social e a organização em comunidades, o homem parte para a economia transformativa e a vida em sociedade.
Considerando que a vida em sociedade demanda regras e regulamentações, e que o senso de retidão e justiça emanam das leis imanentes do ser humano, temos então a formação das redes.
Se o homem tem a tendência ao agrupamento, como eles se agrupam?
O ser humano forma núcleos de afinidade e frequência interligados por um ou vários canais de comunicação, permitindo a troca de informações entre todos os pontos da rede. São redes históricas, sociais, políticas, econômicas, jurídicas, etc.
Mas quais os parâmetros desta vida em sociedade que está disponível no ambiente virtual?
Qual o território do ambiente virtual? Nós temos uma nacionalidade, temos uma pátria digital? Informações do mundo real são transformadas em informações binárias e formam o ambiente virtual? Estamos diante de uma realidade virtual? Nós conhecemos a infraestrutura física de rede de computadores, cabeamento, provedores, topografia de rede, mas será que podemos saber qual o território do meio virtual? O importante desta rede é o ponto ou o que está entre os pontos? Aplicamos as regras morais brasileiras ou estrangeiras?
Qual o tempo do ambiente virtual? Um ambiente computacional está contido em tempo real em diversos sistemas temporais. No Brasil é um horário, no Japão outro, para os astronautas outro. Como fixamos o tempo no ambiente virtual?A Sincronia de servidores atende ao requisito?
Qual a identidade dos habitantes do ambiente virtual? No dia a dia, para qualquer ação que formos tomar é preciso que nos identifiquemos. E no ambiente virtual, qual o RG das pessoas?
Estas reflexões filosóficas são imprescindíveis para aqueles que desejam fazer uso responsável dos computadores e ter uma convivência harmoniosa com os habitantes do mundo virtual.
Você e sua família estão preparados para adentrar neste mundo muito maior, mais populoso e permeável?
Você acha que você e sua família estão preparados para relacionar-se no ambiente virtual?
Conhecem seus direitos e deveres no ambiente virtual?
Vemos diariamente que não estamos preparados e educados para habitar o ambiente virtual. Não que este ambiente seja uma terra sem lei, mas sim um mundo desconhecido pelos usuários. O desafio é comportamental, fomos educados para não deixar nossa casa desprotegida, mas não fomos educados para resguardar nosso ambiente virtual.
Dados estatísticos apontam que a cada 16 segundos um consumidor é vítima de tentativa de fraude, que 2 milhões de spams que trafegam pela internet a cada segundo, que sites do governo sofrem cerca de 2 mil ataques por hora. Sabemos que 51% dos transeuntes do ambiente virtual são robôs, e que destes 31% são utilizados para fins maliciosos.
Estes dados são negligenciados diariamente, seja pelos pais que dizem para o filho não conversar com estranhos na rua, mas coloca um equipamento computacional no quarto da criança; seja pelas empresas que dizem para os funcionários as regras de convivência dentro da empresa, mas não estipulam regras para o uso do ambiente computacional da empresa; seja pelo usuário domestico que não assina um contrato sem ler, mas contratou o serviço de correio eletrônico gratuito e sequer leu o contrato que firmou com o provedor de serviço.
Vejam, a maioria dos crimes são os mesmos positivados no código penal de 1940, mudaram somente as ferramentas e os meios. Antes para cometer um crime contra honra o indivíduo tinha que ir até um grupo de pessoas e ofender alguém, hoje ele posta a ofensa em uma rede social. Antes o estelionatário tinha um grupo restrito de pessoas para cometer o golpe, hoje ele tem um ambiente virtual amplo, acessível e populoso.
De modo genérico, lei é força que obriga alguma ação ou omissão natural ou humana. As naturais advém da ordem natural das coisas, são leis que regem o universo. As humanas, decorrem da inteligência humana, e regem as relações e o convívio pacífico dos homens. É uma questão comportamental e de mentalidade da sociedade, pois a lei tem a função de harmonia, tudo na natureza tem uma razão de ser e uma função social. No ambiente virtual não é diferente, temos que ter a nítida certeza de que "Direitos + Deveres = Harmonia Social". Que o nosso direito e o de nossos filhos terminam onde começa o do próximo. Portanto, no ambiente virtual a instrução do homem medíocre não ressoa com a educação do homem integral.
Cabem aos país e educadores a missão de orientar sobre os direitos e deveres do ambiente virtual, apontado seus riscos e limites. Não no sentido de restringir o seu uso, mas no sentido de educação e preparação para eventuais incidentes.
Com intuito de auxiliar os educadores nesta tarefa divulgamos duas cartilhas, uma sobre os segurança na internet e outra sobre orientações para crianças e adolescentes.

Baixe aqui:

1) Cartilha de Segurança na Internet.
2) Cartilha de Orientação de crianças e adolescentes.

Disponibilizamos ainda, um modelo de regulamento para o uso responsável do computador em ambientes corporativos.

Baixe aqui:
1) Regulamento do Ministério Público do Paraná sobre uso de computadores no ambiente corporativo.

Quer receber orientações gratuitas sobre os perigos da internet?
Acesse: www.canaldeajuda.com.br

Quer assistir palestra sobre o uso responsável de computadores?
Acesse: http://webcast.pr.gov.br/escoladegoverno/historico.php?evt_id=52

Aconteceu o incidente computacional, o que posso fazer?
Procure salvar e registrar o maior número de informações possíveis:
1) Faça um print screen ou fotografe a tela do computador, salve a página de interesse ou documento. Anote informações de endereço, data e hora. Se possível imprima o conteúdo.
2) Vá a um cartório e registre uma ata notarial do conteúdo.
3) Notifique o provedor de serviços para que preserve o conteúdo do ambiente computacional.
4) Procure uma Delegacia de Polícia especializada.

Lista de telefones úteis:
Nuciber - Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos - (0xx41) 3323 9448 - E-mail: cibercrimes@pc.pr.gov.br
Polícia Federal - Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos - (0xx41) 3251 7501
Polícia Científica do Paraná - Informática Forense - (0xx41) 3281 5556
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