Hipnose Forense

HISTÓRICO

Etimologicamente o vocábulo Hipnose vem do grego “Hypnos” e representa o deus do sono na mitologia grega e vem sendo utilizada pelo homem desde a mais remota antiguidade.

No século XVIII, um austríaco, Franz Anton Mesmer, apresentou a idéia de que a hipnose era produzida por um fluído universal a qual chamou de “Magnetismo Animal”.

Em 1.842, um médico inglês, Dr. James Braid, batizou o fenômeno de “hipnotismo”, considerando a hipnose um estado de “sono artificial” produzido pelo cansaço do nervo óptico.

Sigmund Freud, renomado médico de Viena, passou a usar a hipnose como procedimento terapêutico. Procurava ele que as pessoas em estado hipnótico voltassem a reviver ou lembrar fatos pretéritos, que deram origem aos sintomas e traumas.
A partir da década de 50, médicos americanos passaram a estudar profundamente a hipnose chegando a melhor compreender sua natureza psicodinâmica. Dentre esses pesquisadores destacou-se o Dr. Milton H. Erickson, considerado o pai da moderna hipnose, também conhecida como “Hipnose Ericksoniana”.

Hoje, conhecemos a hipnose não mais vinculada aos antigos preconceitos que associava ao esoterismo, mágica ou charlatanismo. Adquiriu o respeito da comunidade científica constituindo-se num campo de estudo de vasta aplicação.

Uma dessas aplicações é a possibilidade de regressão do paciente à lembrança de fatos passados, distantes no tempo. Pela hipnose é possível a regressão de memória, em dias, meses e até mesmo anos. Aqui se encontram as aplicações em vítimas ou testemunhas de um crime, uma vez que fatos passados são relevantes para as investigações policiais.

No Brasil, o Instituto de Criminalística do Paraná é o primeiro, desde 1.983, na associação da hipnose como técnica auxiliar as investigações criminais e, também, na confecção do Retrato-Falado. Tais experimentos obtiveram ótimos resultados, tendo sido criado oficialmente em dezembro de 1.999, o primeiro Laboratório de Hipnose forense, considerando o único do país.

APLICAÇÃO

Geralmente é utilizada quando a vítima ou testemunha de um crime, sofreu traumas decorrentes da violência empregada pelo agressor ou por qualquer outro motivo, que resulte em bloqueio mental e, por isso, não consegue descrever o criminoso e nem fatos que ocorreram. Muito utilizada em casos de assalto, seqüestro, estupro e atropelamentos em que a vítima ou testemunha está com amnésia total ou parcial em relação aos detalhes gerais ou fisionômicos que observou e não consegue descrever.

DESFAZENDO MITOS

Na hipnose o indivíduo não dorme, não há perda de consciência e, o princípio ético-moral da pessoa é preservado, não ficando, conseqüentemente, à mercê da vontade do hipnotista. Dessa forma, sob hipnose, o sujeito não cometerá atos que, de alguma forma, afrontem a sua moral, sua dignidade ou disposição pessoal.

ÉTICA
  • A hipnose só deve ser praticada por profissionais de área da saúde, no presente caso, por médicos ou psicólogos.
  • Só deve ser utilizada em vítimas ou testemunhas e com plena concordância das mesmas.
  • No caso de menor idade, deve ser feita com a autorização dos pais ou responsável.

CONCLUSÃO

A hipnose não se constitui na prova em si, mas através da hipermnésia (potencialização da memória) tem se constituído em elemento importante, trazendo à tona detalhes para a investigação criminal que estão esquecidas devido ao trauma psicológico sofrido pela vítima ou testemunha. Todavia, cabe às provas testemunhais, através da investigação e ao laudo pericial, que representa a materialidade do delito, as provas em si.

A hipnose pode se constituir, quando não se tem nenhum detalhe, no início da meada que pode desenvolver o emaranhado que representa, às vezes, a investigação policial, como tem acontecido em inúmeros casos.
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